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No País das Maravilhas, o objetivo é se perder

Fui ao Farol Santander conhecer Reflexos Inversos, a nova exposição imersiva sobre Alice, e saí pensando menos em coelho branco e mais em pressa, escolha e identidade.

por Samara Checon · 1 de setembro · leitura de 2 min

Samara Checon dentro da instalação de espelhos e luzes da exposição, vestindo casaco rosa
Dentro da sala de espelho e luz: o tipo de cenário que não é pra olhar de fora. Foto: acervo pessoal
Pensando em voz alta

Estou escrevendo isso ainda meio tonta, no bom sentido, depois de sair do Farol Santander, em São Paulo.

Não é pra só olhar

A nova exposição de lá, Reflexos Inversos no País das Maravilhas, não é dessas que você atravessa em quinze minutos batendo foto de longe. Você passa por ambientes inspirados no chá com o Chapeleiro Maluco, nas mudanças de tamanho da Alice, e em algum momento perde a noção exata de onde está: luz, espelho e cenário fazendo isso de propósito.

A diferença é essa: não é sala com obra pendurada na parede pra você admirar de fora. É cenário pra você atravessar, participar, se perder dentro.

Mas não é só sobre a Alice

E aqui está o que me fez pensar o resto do dia: a exposição usa o País das Maravilhas como pretexto pra falar de outra coisa. Pressa. Escolhas. Identidade. Aqueles momentos em que a gente esquece quem é e precisa, literalmente, se reencontrar.

Você entra, sente, se perde um pouco. Descobre novas formas de enxergar a história, e talvez a si mesmo.

Não deixa de ser irônico: a Alice se perde num mundo sem lógica pra, no fim, se entender melhor. A exposição faz o mesmo com quem visita.

Se for

Reflexos Inversos no País das Maravilhas fica no Farol Santander (Rua João Brícola, 24, Centro, São Paulo), no 19º e 20º andares, até 31 de janeiro de 2027. Funciona de terça a domingo, das 9h às 20h, com entrada até as 19h. Dependendo do ingresso, o passeio ainda pode incluir outras exposições do Farol e o mirante do 26º andar. De lá, São Paulo inteira, sem nenhum espelho torto no meio.

Vale reservar um tempo sem pressa pra essa visita. É exatamente o oposto do que a exposição está tentando tirar de você.

Salva esse texto pra quando for, e leva alguém junto: é dessas experiências que rendem mais conversa depois do que durante.

O País das Maravilhas nunca foi sobre o coelho branco. É sobre o que você descobre quando se permite não saber onde está.

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